Guerrilheiros

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Os passos foram crescendo. Crescendo. Repentinamente um homem vira a pequena esquina. Luci estava embaixo duma marquise aguardando a garoa passar. A noite estava péssima para trabalhar. Marcio corre em direção dela, mas Luci sentiu que ele não causaria maiores problemas. Jogou a jaqueta mais no fundo do pequeno beco que seguia a construção, assim como o chapéu, que vôou para o mesmo lugar. “Vai, você tem cinco segundos para chupar meu pau”, disse ele com a certeza de quem falava com uma puta. Ele se encostou na parede, e ela ajudou a tirar seu pênis da calça, colocando-o na boca. Nisso, um outro homem apareceu na esquina, também vinha de uma corrida, e era possível ouvir seu arfar. Olhou para o casal recém-formado e seguiu adiante na sua corrida. Alguns segundos depois, quando não mais se ouvia os passos daquele homem, Marcio disse: “Pode parar agora, era só para disfarçar”. Mas Luci só olhou para ele, sem parar seu trabalho, e com a mão direita espalmada, demonstrou que iria até o final do serviço. “Mas… eu… não tenho dinheiro”, falou enquanto o prazer o dominava. Novamente ela olhou com os olhos indicando que não precisaria pagar. Marcio colocou as mãos no rosto, tapando o prazer com alguma vergonha. Pouco depois, ele chegava ao orgasmo. Luci, após saciar sua sede, olhou para ele e perguntou se estava satisfeito. “Sim”, ele respondeu. “O que aquele homem queria contigo?”. “Olha, é uma longa história. E agora tenho que ir antes que ele volte”. “Não. Fique comigo. Você é um guerrilheiro, não é? Calma, eu sei pois meu irmão também era. Ele morreu dois meses atrás. Viveu um ano se escondendo, na clandestinidade”. “É… sim. Estou fugindo daquele homem. Ele é policial. Acabou de matar minha parceira quando íamos trocar de aparelho. O desgraçado estava nos vigiando. Meu deus!”. Marcio colocou as mãos no rosto e começou a chorar. “Vamos”, disse Luci, “fique na minha casa esta noite. Você não tem para onde ir mesmo, tem?”. “Não, não tenho”. “Então vamos, antes que ele volte”.

Luci levou Marcio pelos braços. Ela morava pouco mais de cinqüenta metros de onde estavam, na mesma rua. Enquanto subiam as escadas até o segundo andar, onde morava, Luci explicou que ela mesma matou seu marido, quando descobriu que seu irmão morrera torturado no quartel onde ele era comandante. Ela soube, inclusive, que seu marido dera a ordem de torturá-lo, só que o carrasco teria se “excedido” na tortura. Foi o que ela soube extra-oficialmente. “Mas… você matou mesmo seu marido?”. “Sim, eu afrouxei o apoio da sacada que ele adorava se encostar na sua pose de ‘nada vai me acontecer’. Quebrou o pescoço na queda, que nem era tão alta, mas sabia que ele ia se fuder. Nunca desconfiaram. Então, pra fuder ainda mais com o babaca, resolvi virar puta, já que ele sempre teve amantes e eu sempre me ferrava dentro de casa. Agora tá ardendo no inferno e com um chifre do tamanho do capeta”. Foi impossível para Marcio segurar o riso, mesmo com toda tensão a que estava sendo submetido, e assim os dois ganharam o pequeno apartamento onde agora vivia Luci. “É, agora vivo neste pequeno apartamento. Tenho ainda minha casa, mas fico aqui durante a semana cumprindo meu ‘expediente’. E acredite, estou adorando! Olhe, ali é o banheiro. Vá lá, tome um banho. Eu espero um pouco, e depois entro, caso você queira”. Marcio estava atordoado, mas balançou a cabeça em tom afirmativo. “Ah, que tal eu descer para pegar seu casaco e chapéu?”. E novamente Marcio apenas afirmou com a cabeça, enquanto entrava no banheiro.

Ao entrar no banheiro, foi até o chuveiro e tentou ligar a água, mas não conseguiu. Tentou achar algum registro principal, mas não obteve sucesso, e então foi até a pia, ao lado da porta, de onde ouviu um diálogo, que vinha pela janela. Reconheceu a voz de Luci, e foi até a janela, com muito cuidado. “Sim, eu sou policial, e nós vamos subir agora, vagabunda. Mora aqui, não é? Eu vi você fazendo um boquete agora pouco. E eu quero um pouco mais que isso, entendeu?”. E as vozes foram sumindo, pois eles provavelmente entravam no corredor da escada. Pela conversa e o tempo decorrido, Marcio imaginou que Luci não tivera tempo de atravessar para pegar seu casaco e chapéu. Então ele entrou novamente no banheiro, apagou a luz, e escondeu-se atrás da porta. Nesse instante o policial e a Luci entravam no quarto. A tensão era grande. E foi então que ele ouviu de Luci que ela iria até o banheiro e volta rapidamente, e que ele a esperasse sem as roupas. Ela entrou com os olhos cerrados, fechou a porta, e começaram uma rápida conversa com o mínimo de volume possível, enquanto ela tirava a roupa: “Seguinte, não temos tempo a perder”, disse Luci. “Eu vou deixá-lo de costas para o banheiro, me comendo de quatro na cama. Tente aguardar até ele chegar perto de gozar. Aí pegue este cano de ferro solto aqui embaixo da pia, e faça o que tem que fazer. Tente derrubá-lo com um golpe só, por favor”. Marcio novamente só fez um gesto afirmativo com a cabeça, mas agora seus olhos refletiam sua raiva. Até mesmo o sentimento de ciúmes por aquela mulher irradiava-lhe o corpo todo.

Luci saiu do quarto, apenas com a lingerie, porém, sem a calcinha. Deixou a porta entreaberta, no ponto preciso para que Marcio não precisasse nem tocar nela. Pouco após dois minutos, já se ouvia os sons do sexo entre o policial e Luci. Marcio arriscou a escuridão do banheiro e a penumbra do quarto para olhar e viu que Luci conseguiu a posição ideal. Seu enorme traseiro branco dominava a cena, e por um instante Marcio sentiu a excitação do momento, que misturava o sexo com a violência que viria a seguir, além da raiva de saber que ele poderia estar ali no lugar daquele homem que minutos atrás matara sua companheira. E então Marcio caminhou, silenciosamente e o mais rápido que pôde até a cama. O policial foi atingido bem na nuca e caiu fora da cama. Marcio ainda acertou três chutes na cabeça dele, para garantir que não acordaria. Agora Marcio assumiu a coisa. Disse que levaria o policial até aquele beco e o mataria lá. Colocaria fogo nele, pra não restar digitais. Enquanto levantava o policial, e Luci pegava uma garrafa de álcool e fósforos, disse a ela: “Tome um banho, que o próximo sou eu”.

Publicado em: às 22 novembro, 2006 em 10:53 pm  Comentários (4)  

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4 ComentáriosDeixe um comentário

  1. falo nada dessa foto.
    hahaha

    só vc mesmo tio.

  2. Hello

    Great book. I just want to say what a fantastic thing you are doing! Good luck!

    G’night

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    filhotes micros, nota 10 esse site

  4. Uau…que conto mais Mário Vargas Llosa rs


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